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Aumento no volume de treino de força reverte perda muscular em idosos

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Aumento no volume de treino de força reverte perda muscular em idosos

Pesquisa com idosos saudáveis de ambos os sexos mostrou que aumentar séries de exercícios de resistência pode ser uma estratégia simples para elevar a massa muscular e a força entre os que não respondem ao treino de baixo volume

Fatores extrínsecos como alimentação, sono e estresse, e também intrínsecos, como genética e perfil hormonal, afetam variação individual no ganho de massa e força.

Treinos de força, como a musculação, são considerados altamente eficazes para promover ganhos de massa muscular (hipertrofia) em idosos e recuperar sua capacidade funcional, porém, nem todos respondem bem a essa atividade. Enquanto alguns apresentam aumentos expressivos de massa magra (considerados como "responsivos") outros relatam ganhos insignificantes ("não-responsivos").

Pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP demonstraram que o aumento no volume de treinamento pode mitigar a falta de resposta entre idosos. Do total de voluntários não responsivos, 80% deles responderam melhor aos treinos após a intervenção, e entre os responsivos, 47% aumentaram ainda mais a massa muscular em função dos exercícios realizados.

Os resultados desse trabalho foram publicados no artigo Resistance training volume and non responsiveness in older individual no Journal of Applied Pysiology, em fevereiro de 2024, e também fez parte de uma tese defendida na EEFE pelo educador físico Manoel Lixandrão, sob a orientação do professor Hamilton Roschel, da EEFE.

Segundo o estudo, após os 30 anos, o declínio de massa muscular acontece em torno de 3 a 8% e, depois dos 60 anos, o aumento é ainda mais drástico. "Essa condição torna as pessoas mais vulneráveis e propensas a quedas, fraturas e a outros traumas".

Embora se saiba que a aplicação de estímulos de exercícios padronizados não resulta em respostas de ganhos de força e de massa muscular uniformes entre sujeitos distintos, os reais motivos destas diferenças ainda não são totalmente compreendidos, diz Roschel. Segundo o pesquisador, há fatores extrínsecos (a alimentação, o sono e níveis de estresse), mas existem também fatores intrínsecos (a genética e o perfil hormonal, por exemplo) que desempenham papel igualmente importante na performance do ganho de massa muscular.

Perfil dos participantes
Para a pesquisa, Lixandrão selecionou 85 voluntários maiores de 60 anos, de ambos os sexos e clinicamente saudáveis, sem histórico de diabetes tipo I ou doenças isquêmicas do miocárdio, com a pressão arterial controlada, sem lesões ou doenças músculos esqueléticas, e com índice médio de massa corporal de 26,4 (cálculo feito dividindo o peso em kg pela altura ao quadrado). Destes, 60% (51, sendo 27 homens e 24 mulheres), com média de idade de 69 anos, não respondiam adequadamente ao ganho de massa muscular, e 40% (34, sendo 14 homens e 20 mulheres), com idade média de 68 anos, respondiam melhor ao ganho de massa muscular.

Os treinos propostos foram realizados em cadeiras extensoras unilaterais, por um período de dez semanas, com duas sessões semanais. Cada uma das pernas foi aleatoriamente alocada para um dos dois modelos de treinos: um composto de uma única série com 8 a 15 repetições máximas e, o outro, por quatro séries de 8 a 15 repetições máximas. Ao longo dos treinos, os pesquisadores foram ajustando a carga executada pelos voluntários.

Antes e após as intervenções, os participantes foram submetidos a um exame de ressonância magnética do músculo quadríceps femoral (músculo da parte anterior da coxa) para quantificar as mudanças no tamanho, bem como um teste de força máximo, para avaliar os ganhos de força muscular dos membros inferiores.

Resultados
Os resultados demonstram que, embora houvesse alta variabilidade de resposta de ganho de massa muscular em idosos submetidos a treinamentos de força, essa resposta foi alterada pela manipulação do volume de treino. Após as dez semanas de exercícios, a perna que foi submetida ao segundo treino (quatro séries de 8 a 15 repetições) teve melhor resposta hipertrófica (houve maior ganho de músculos) do que a perna que executou o primeiro treino (uma série de 8 a 15 repetições).

Entre todos os indivíduos classificados como não-responsivos, aumentos no volume de treinamento promoveram ganhos adicionais tanto de massa magra (1% para quem fez o primeiro treino e 5% para quem fez o segundo) quanto de força muscular (6% para o primeiro treino e 13% para o segundo).

Segundo Lixandrão, apesar da falta de diferenças estatisticamente significantes, uma resposta semelhante foi observada também entre aqueles responsivos à intervenção. Eles tiveram ganhos adicionais de massa (5% para quem fez menos repetições e 7% para quem fez mais repetições) e de força muscular (8% para quem fez menos repetições e 12% para quem fez mais).

Quando os pesquisadores avaliaram as respostas de maneira individualizada, dos 51 idosos classificados como não-responsivos (os que apresentaram dificuldade em obter ganho de massa muscular), 80% passaram a responder melhor aos exercícios quando o volume de treinamento foi aumentado. "Esse efeito também foi observado entre os idosos que já eram responsivos. Cerca de 47% aumentaram a massa muscular em função de maior volume de treinamento.

Como recomendação, Lixandrão diz que apesar de terem identificado que volumes maiores de exercícios minimizam a baixa responsividade em idosos, o aumento da quantidade de exercício não deve ser realizado de maneira indiscriminada, pois também pode implicar em prejuízos para as pessoas. "Todo treino deve ser individualizado e acompanhado por um profissional de educação física", avalia.

Referência

FERREIRA, I. Aumento no volume de treino de força reverte perda muscular em idosos. Jornal da USP, São Paulo, 01 abril 2024. Ciências. Disponível em: Acesse aqui matéria na íntegra. Acesso em 24 out. 2024

Geriatria é a especialidade médica dedicada à saúde da pessoa idosa, focando no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças e debilidades típicas da terceira idade. buscando promover o envelhecimento saudável e a melhora da qualidade de vida nesta fase. Ela se preocupa não só com as doenças, mas também com as questões psicológicas, sociais e preventivas relacionadas ao envelhecimento.

Atividades:
O Geriatra se dedica a oferecer um atendimento individualizado ao idoso, avaliando não apenas as doenças, mas também a capacidade funcional, cognitiva, emocional e social. Assim investiga fenômenos associados ao envelhecimento, prescrevem medicamentos, orientam sobre a prevenção de doenças, realizam avaliações geriátricas abrangentes e trabalham em conjunto com outros especialistas quando necessário e dão conselhos sobre nutrição, atividade física e saúde mental.
 
Principais enfermidades atendidas pela especialidade:
  • Demência: Declínio da função cerebral que afeta a memória, pensamento e comportamento.
  • Osteoporose: Enfraquecimento dos ossos, aumentando o risco de fraturas.
  • Hipertensão arterial: Pressão alta constante, que pode levar a problemas cardíacos e vasculares.
  • Diabetes Mellitus: Doença em que o corpo não produz ou não usa adequadamente a insulina, resultando em níveis elevados de açúcar no sangue.
  • Incontinência urinária: Perda involuntária de urina.
  • Artrite reumatoide: Inflamação crônica das articulações, causando dor e limitação de movimentos.
  • Doença de Parkinson: Desordem neurológica progressiva que afeta o movimento e pode causar tremores.
  • Depressão geriátrica: Transtorno de humor que pode surgir ou se agravar com a idade.
  • Sarcopenia: Perda progressiva de massa e força muscular relacionada à idade.
  • Doença vascular cerebral: Condição causada pela interrupção do fornecimento de sangue ao cérebro, podendo resultar em acidente vascular cerebral (AVC) ou "derrame".
  • Doenças Pulmonares: Condições que afetam a respiração, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
  • Declínio da Mobilidade: Dificuldade ou incapacidade de mover-se ou andar.
 
Quando procurar o especialista?
É aconselhável consultar um geriatra ao perceber os seguintes sinais e sintomas relativas ao declínio cognitivo:
  • Falha da memória, atenção, linguagem (dificuldade em expressar o pensamento)
  • capacidade comprometida de raciocínio
  • Percepção: A habilidade de interpretar e organizar as informações sensoriais, como visão, audição, tato, olfato e paladar.
  • Conhecimento: O armazenamento de informações e a capacidade de recuperá-las.
  • Funções executivas: Envolve uma série de habilidades superiores que nos permitem planejar, organizar, iniciar, monitorar e ajustar nosso comportamento. Isso inclui a tomada de decisões, resolução de problemas, flexibilidade mental e inibição (a capacidade de suprimir respostas impulsivas).
  • Habilidades motoras: A capacidade de coordenar e executar movimentos.
  • Reconhecimento espacial: A capacidade de entender e lembrar da localização de objetos no espaço, bem como de se orientar e navegar no ambiente.
  • Funções psicomotoras: Habilidades que envolvem coordenação entre cognição e movimento, como a destreza manual.
  • Praxias: A habilidade de realizar movimentos propositalmente e coordenados.
  • Habilidades sociais: A capacidade de interpretar e responder adequadamente a sinais sociais, entender as normas sociais e se comportar de maneira apropriada em situações sociais.
  • Abstração: A habilidade de pensar sobre conceitos que não estão fisicamente presentes e de entender ideias que não são concretas.
  • Intuição: A capacidade de compreender ou saber algo sem a necessidade de raciocínio consciente.
Outras e importantes alterações:
  • alterações de humor como depressão,
  • perda e peso inexplicada,
  • uso de múltiplas medicações sem controle,
  • fragilidade física,
  • ou qualquer sintoma atípico que surja na terceira idade.
  • Também é fundamental consultas periódicas para orientações preventivas e de promoção à saúde do idoso.
  • Seguimento conjunto com outros especialistas para otimizar o suporte ao idoso.
Nossa rede de profissionais em Geriatria e Gerontologia está preparada para oferecer um atendimento humanizado, atualizado e integral para atender a complexidade do idoso. Valorizamos a saúde e o bem-estar dos idosos, utilizando técnicas modernas e práticas baseadas em evidências científicas e ainda pode contar com uma rede integrada de especialistas para um cuidado multidisciplinar. Nossa missão é assegurar que a fase da terceira idade seja vivenciada com plenitude, saúde e dignidade. A saúde do idoso é tratada com toda a dedicação e expertise que ela merece.

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