A Pesquisa Clínica é uma área fundamental da ciência médica que envolve estudos conduzidos com seres humanos, com o objetivo de avaliar a eficácia, segurança e tolerabilidade de novos medicamentos, dispositivos, vacinas ou procedimentos. Esses estudos seguem diretrizes éticas e regulatórias rigorosas, garantindo a proteção dos participantes e a validade dos dados obtidos.
Segundo Califf (2016), "a pesquisa clínica bem conduzida é a base do avanço terapêutico e da prática médica baseada em evidências", o que reforça seu papel essencial no desenvolvimento da medicina moderna. Por meio de ensaios clínicos, é possível transformar descobertas científicas em soluções concretas para a saúde da população.
As 4 Fases da Pesquisa Clínica
A pesquisa clínica é conduzida em diferentes etapas, denominadas fases, que têm como objetivo avaliar a segurança, eficácia e outros aspectos fundamentais de medicamentos, vacinas, dispositivos médicos ou outras intervenções em saúde. Essas fases seguem critérios internacionalmente reconhecidos por órgãos reguladores como a ANVISA (Brasil), FDA (EUA) e EMA (Europa).
Fase I - Segurança e dose inicial
Essa fase é a primeira vez que o novo produto é administrado em seres humanos, geralmente em um pequeno grupo de voluntários saudáveis (ou pacientes, no caso de doenças graves como câncer). O principal objetivo é avaliar a segurança, tolerabilidade, efeitos colaterais iniciais, e estudar o comportamento do medicamento no organismo (absorção, distribuição, metabolismo e excreção - farmacocinética e farmacodinâmica).
Fase II - Eficácia inicial e segurança ampliada
Nesta fase, o medicamento é testado em um grupo maior de pessoas que possuem a doença ou condição-alvo. O foco é verificar sinais de eficácia terapêutica e continuar monitorando a segurança. Também se busca a melhor dosagem e regime de uso.
Fase III - Confirmação de eficácia e comparação
Com base nos resultados positivos das fases anteriores, os estudos da fase III envolvem grandes populações de pacientes (muitas vezes em diversos centros de pesquisa, inclusive internacionais) e visam confirmar a eficácia, monitorar efeitos adversos menos comuns e comparar o novo tratamento com os já existentes. Os dados desta fase servem de base para a solicitação de registro e aprovação regulatória do produto.
Fase IV - Pós-comercialização
Após a aprovação do medicamento pelas autoridades reguladoras, os estudos da fase IV acompanham o uso em larga escala na população, em condições reais do dia a dia. Essa fase permite identificar efeitos adversos raros, estudar interações medicamentosas e avaliar a efetividade a longo prazo. Também contribui para a farmacovigilância e a melhoria do uso racional do medicamento.
CALLIFF, R. M. Clinical trials bureaucracy: unintended consequences of well-intentioned policy. Clinical Trials, 3(6):496-502., 2006. DOI: https://doi.org/10.1177/1740774506073173. Disponível em: Acesse aqui. Acesso em: 23 out. 2025.
LIMA, M. et al. Caracterização dos ensaios clínicos conduzidos por um centro de pesquisa clínica em um hospital universitário em Salvador, Bahia. Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia, Salvador, v. 1, supl. 2, p. 45-52, 2023. Disponível em: Acesse aqui. Acesso em: 15 out. 2025.
WANG, T. et al. From bench to bedside: a review of clinical trials in drug discovery and development. arXiv preprint, 2024. Disponível em: Acesse aqui. Acesso em: 15 out. 2025.